A velha Jacundá da qual eu sempre ouvi falar
e até já li alguns livros sobre ela, era bem diferente do que vejo hoje. Eu não
morei aqui na época em que se podia sentar nas portas de casa, nas calçadas
para bater aquele “papo”, jogar aquela conversinha fora, falar da roça que
plantou, do peixe que pescou e das festas onde dançou. No tempo em que os
filhos embalados pelos mistérios das lendas que os pais e avós contavam,
pegavam logo no sono e dormiam a noite toda sem medo do que os aguardava no dia
seguinte. Eu não morei aqui nos tempos em que o povoado de Jacundá se ergueu às
margens do rio Tocantins próximo a cachoeira do Capitariquara. Não morei aqui
na época da descoberta da seringueira na região do médio Tocantins, nem na
época em que se enfrentavam grandes dificuldades na hora de atravessar algumas partes
do rio. Fiquei sabendo que por causa das corredeiras, das cachoeiras e
travessões, vários pontos de desembarques de mercadorias surgiram para que os
produtos seguissem ao seu destino.
Pude observar também, que os jacundaenses antigos
eram diferentes e, na ausência de informações da época, nem se preocupavam com
as transformações que por ventura viessem ocorrer, até porque suas limitações
eram as próprias condições materiais de sobrevivência, e não lhes faltava nada
que pudesse causar anseios. Com isso, Jacundá era uma cidade, que, no seu
contexto sócio-cultural e rico em paisagens, tinha habitantes livres do vício
da usura e não havia tanta competição por posses e dinheiro.
Atualmente, quem mora em Jacundá fica triste
em ver e saber que muita coisa mudou. Tudo bem que podem até dizer que foi o
progresso que chegou, onde podemos identificar várias transformações temporais quanto à ocupação do espaço e
mudanças nas paisagens, mas
tem uma coisa que não muda nunca, ao contrário, se aperfeiçoa: É o RESPEITO. Respeito
ao cidadão como um todo, valorizando o patrimônio étnico-cultural e artístico, preservando sua memória e sua identidade. Não deixar que
somente os fatores políticos prevaleçam na tomada de decisões e sim, chamar
para “a conversa”, aquele que realmente sofre quando algo não vai bem na esfera
política, aquele cuja indagação lhe vem a cabeça “Meu Deus, será que eu escolhi
e votei certo?”:Nós, O POVO. E, é uma maioria desse povo que ainda aguarda um verdadeiro resgate e valorização de sua cultura. Famílias que resistiram ao tempo na esperança de viver o dia em que os sonhos da Velhas Jacundá emergirão.
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| foto retirada do SlideShare: "Jacundá, uma história e várias culturas" do Profº André Moraes. |

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