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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

NÃO MOREI NA VELHA JACUNDÁ, MAS OBSERVO A ATUAL.

A velha Jacundá da qual eu sempre ouvi falar e até já li alguns livros sobre ela, era bem diferente do que vejo hoje. Eu não morei aqui na época em que se podia sentar nas portas de casa, nas calçadas para bater aquele “papo”, jogar aquela conversinha fora, falar da roça que plantou, do peixe que pescou e das festas onde dançou. No tempo em que os filhos embalados pelos mistérios das lendas que os pais e avós contavam, pegavam logo no sono e dormiam a noite toda sem medo do que os aguardava no dia seguinte. Eu não morei aqui nos tempos em que o povoado de Jacundá se ergueu às margens do rio Tocantins próximo a cachoeira do Capitariquara. Não morei aqui na época da descoberta da seringueira na região do médio Tocantins, nem na época em que se enfrentavam grandes dificuldades na hora de atravessar algumas partes do rio. Fiquei sabendo que por causa das corredeiras, das cachoeiras e travessões, vários pontos de desembarques de mercadorias surgiram para que os produtos seguissem ao seu destino.
Pude observar também, que os jacundaenses antigos eram diferentes e, na ausência de informações da época, nem se preocupavam com as transformações que por ventura viessem ocorrer, até porque suas limitações eram as próprias condições materiais de sobrevivência, e não lhes faltava nada que pudesse causar anseios. Com isso, Jacundá era uma cidade, que, no seu contexto sócio-cultural e rico em paisagens, tinha habitantes livres do vício da usura e não havia tanta competição por posses e dinheiro.

Atualmente, quem mora em Jacundá fica triste em ver e saber que muita coisa mudou. Tudo bem que podem até dizer que foi o progresso que chegou, onde podemos identificar várias transformações temporais quanto à ocupação do espaço e mudanças nas paisagens, mas tem uma coisa que não muda nunca, ao contrário, se aperfeiçoa: É o RESPEITO. Respeito ao cidadão como um todo, valorizando o patrimônio étnico-cultural e artístico, preservando sua memória e sua identidade. Não deixar que somente os fatores políticos prevaleçam na tomada de decisões e sim, chamar para “a conversa”, aquele que realmente sofre quando algo não vai bem na esfera política, aquele cuja indagação lhe vem a cabeça “Meu Deus, será que eu escolhi e votei certo?”:Nós, O POVO. E, é uma maioria desse povo que ainda aguarda um verdadeiro resgate e valorização de sua cultura. Famílias que resistiram ao tempo na esperança de viver o dia em que os sonhos da Velhas Jacundá emergirão.
foto retirada do SlideShare: "Jacundá, uma história e várias culturas" do Profº André Moraes.

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